Planejamento Estratégico para Igrejas II

Continuando o artigo anterior (veja AQUI), queremos entrar na parte prática do planejamento estratégico para igrejas. Esse planejamento é simples e adequado para a natureza igreja. O instrumento de planejamento apresentado aqui é de uma página e completamente adaptado para capturar e aproveitar o chamado de cada membro, sua paixão e dom de cada membro.

Não podemos subestimar o poder da influência de um líder. Muito menos de uma sequência de líderes que repetem determinada maneira de agir, formando o que é chamado de Cultura Corporativa. Essa cultura acaba influenciando a igreja como um todo, quando mantida por muito tempo. Em outras palavras, tantos líderes apontaram para certa direção que aquilo se torna tão arraigado na mente do povo que dentro de uma igreja quase assume status de sagrado. O “sempre fizemos assim” toma tanto conta da igreja que as pessoas não conseguem mais pensar diferente.

Temos planejado, mas temos planejado métodos e ações. Ao assim fazermos, nos expomos ao ativismo vazio e ao modismo de métodos.

Vi uma igreja que tinha centenas de atividades planejadas para um trimestre. Havia todo o tipo de atividades… Atividades que eram tipicamente de igreja, mas dezenas de atividades – todas elas boas – mas no fim erauma coleção de ações que não apontavam para nenhuma direção. Perguntei para a liderança, com esse tanto de atividades, “para onde vocês estão indo? O que vocês querem no fim alcançar?” A liderança ficou completamente sem resposta… A confusão era grande! Apesar de tantas atividades, muitas vezes até conflitantes, o grupo não sabia a direção. Na verdade reconheceram que cada um estava apontando numa direção diferente.

No entanto, fiquei impressionado com o potencial que existe entre os líderes de nossas igrejas. Imediatamente ao iniciarmos a discussão o grupo entendeu o que estava acontecendo e que precisávamos de uma direção, um alvo comum. Entenderam que havia um desgaste enorme no sistema ao cada um puxar para o “seu” lado. Viram logo quão poderoso seria se todos puxassem na mesma direção – o que chamei de unidade no Espírito. (cf. Jo. 17:17-21). Precisamos unidade no crer, mas isso precisa nos levar à unidade no fazer! A pergunta não poderia tardar: “o que fazer para nos tirar dessa confusão, gastos exorbitantes e desnecessários e desperdício de energia?”

A sequência é clara: líder => diagnóstico da situação atual => desenvolvimento da visão => compartilhando e criticando a visão => apropriação da visão por parte da liderança => elaboração do plano de ação => apropriação da visão por parte da igreja => ajustes => ação => avaliação =>

Tudo começa com o líder. Como diz Barna: “nunca vi Deus dar uma visão para comissões!” (George Barna. O Poder da Visão, p35).

Foi assim com Moisés: “tira as sandálias pois o lugar que estás pisando é terra santa!” (cf. Ex. 3:5). Ali Deus arrancou Moisés de sua estado letárgico que havia adquirido ao longo de 40 anos de sentimento de culpa que cultivava em seu coração, pela morte de um egípcio. É claro que Deus usou esse perído para que Moisés aprendesse muitas coisas e desaprendesse outras. Deus estava dirigindo a vida desse homem, pois o queria como líder de Seu povo.

Quando Moisés saiu da presença de Deus a visão estava clara: “povo de Israel para fora do Egito na Terra que mana leite e mel!”

O diagnóstico estava claro, o povo estava escravo no Egito por séculos e esse não era o plano de Deus. A visão é a imagem mental que Deus oferece sobre a situação a ser alcançada.

Baixe AQUI apostila instruções detalhadas sobre como elaboração da visão e de todo o planejamento estratégico, bem como fazer o processo de apropriação da visão por parte da liderança e igreja. Baixe AQUI apresentação de Power Point com mais detalhes.

Qual era a visão de Jesus? Evangelho pregado para cada nação, tribo, língua e povo e discípulos feitos nessas nações. (cf. Mt. 28: 18:20 e Ap. 14:6-7). Para onde Jesus quer que Sua igreja vá? Qual a direção a ser seguida? Não está clara a visão de Deus para a igreja? Não foi elaborada com clareza para os discípulos e depois para os cristãos do tempo do fim?

Sinto no entanto que a visão muitas vezes é grande demais para uma igreja local apenas. Assim como em cada sermão se toma uma parte das Escrituras para ser explicado, o líder precisa também tomar a visão de Jesus, esclarecê-la e torná-la alcançável para a igreja local, ou para uma região.

Ao esclarecer a situação que uma igreja se encontra (diagnóstico) e apresentar para ela o que ela poderia alcançar em um tempo e espaço determinado (visão), os

métodos e ações se submetem à esta visão. Já não estamos sujeitos aos modismos metodológicos, nem ao ativismos vazio, mas à utilização coordenada de métodos e ações úteis para alcançar aquela visão.

Veja AQUI o exemplo de uma igreja simples com foco claro.

O poder de uma visão clara é que ela atrai pessoas, que percebem uma direção clara, e atrai recursos, pois as pessoas se identificam com a visão.

Seja ousado, elabore uma visão grande o suficiente para desafiar e pequena o suficiente para ser alcançada, mas não permita jamais que essa visão seja imposta. Não há espaço para ditadura ou coronelismo quando se trabalha com Visão e Planejamento Estratégico. O processo de discussão é longo e precisa ter como objetivo a apropriação por parte das pessoas envolvidas. Isso quer dizer que a visão inicial nunca será a final, pois no processo de apropriação cada líder e cada membro pode e deve dar a sua opinião. Ao assim fazer, o processo vai incendiando uma chama de renovação e desejo de ser parte de algo dentro do coração de cada pessoa (veja os 10 passos para provocar apropriação na apostila).

Creio que ao abandonarmos o modelo multidirecional que provoca confusão e desperdício de recursos e forças, e apontarmos para uma clara direção, resgataremos igrejas e a nossa missão será cumprida.

Sobre Dr. Berndt Wolter

Diretor e Coordenador do Núcleo de Missões & Crescimento de Igreja.
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